domingo, 1 de março de 2009

Sugestões de Leitura

Estes foram os livros propostos para a nossa próxima leitura:

A solidão dos números primos
Paolo Giordano
Alice é obrigada pelo pai a frequentar um curso de esqui para ser forte e competitiva, mas um acidente terrível deixará marcas no seu corpo para sempre. Mattia é um menino muito inteligente cuja irmã gémea é deficiente. Quando são convidados para uma festa de anos, ele deixa-a sozinha num banco de jardim e nunca mais torna a vê-la. Estes dois episódios irreversíveis marcarão a vida de ambos para sempre. Quando estes “números primos” se encontram são como gémeos, que partilham uma dor muda que mais ninguém pode compreender.

Morte no retrovisor
Vasco Graça Moura
Um menino obcecado por um periquito azul, enquanto graves coisas se vão passando; uma conversa na oficina de António Gonçalves, o impressor de "Os Lusíadas"; o reencontro de um casal suburbano desavindo; um maestro fatigado que se deixa adormecer à beira-mar; uma história de sexo, assassínio e talvez espionagem; Graham Greene, padrinho e amante de Catherine Walston; a segunda carta que Philip Lord Chandos, filho mais novo do Conde de Bath, escreveu a Francis Bacon; um caso de amor e morte, com a Alemanha nazi em pano de fundo e latas de sardinhas Walkyrie de permeio, uma tragédia operática no Largo do Picadeiro, os bizarros mistérios de um colégio de meninas de boas famílias... e mais uma dezena de outros universos singulares revisitados com um a ironia que vai das ficções à quase ficções engendradas pelo autor.


Os filhos da meia-noite
Salman Rushdie
(já proposto no mês passado)


O pequeno incendiário
E.S. Tagino
Depois de nos surpreender com as narrativas Mataram o Chefe de Posto e Nem por Sonhos, E.S. Tagino volta à escrita com O Pequeno Incendiário. Uma narrativa onde somos convidados a ver o mundo pelos olhos de um menino de 11 anos.? Tinha onze anos quando o meu avô morreu. Mas não fui ao funeral porque tinha um teste à mesma hora e a minha mãe achou que os meus estudos eram muito mais importantes.? Assim tem início uma narrativa rica e sensorial, onde o menino narrador é o nosso anfitrião. Pelos olhos dele vêmo-lo crescer, e ao seu mundo com ele. A idade da descoberta, dos prazeres da vida, da percepção do mundo dos adultos e das coisas menos belas que este lhe ensina. As relações familiares povoam cada página, enviando-nos frequentemente mensagens subliminares do peso da educação para a formação do indivíduo. Este é um livro para pais e filhos. Tem duas leituras e ambas resultam numa agradável surpresa. O ágil jogo de espelhos prende-nos do princípio ao fim com um sentimento ora terno ora resignado.

A Arte da Alegria
Goliarda Sapienza

Era uma vez uma menina, Modesta, nascida no dia 1 de Janeiro de 1900, num mundo frustrado e rapidamente desaparecido. Não. "A Arte da Alegria" resiste a qualquer apresentação. Romance de aprendizagem, ele desdobra-se numa multiplicidade de caminhos. Romance dos sentidos e da sensualidade, ele ressuscita os fervores políticos que marcaram o século XX. Situado numa Sicília por vezes sombria, outras solar, prolonga-se pelo horizonte dos mares e das grandes cidades europeias... Um romance sensual, erótico e inteligente que percorre a história dos primeiros cinquenta anos dos século XX europeu pelas mãos de Modesta, uma heroína excepcional que aprende a ascender das suas humildes origens sicilianas até à aristocracia e ao poder, valendo-se da sua astúcia e dos seus dotes de sedução, sem com isso renunciar ao seu irredutível anelo de liberdade e ao seu insaciável amor pela vida.



Uma cabeça decepada
Iris Murdoch
Martin Lynch-Gibbon acredita que pode possuir não só uma bela mulher como uma amante encantadora. Porém, quando Antónia, a sua mulher, o troca pelo psicanalista, Martin vê-se a braços com uma exaustiva reeducação emocional. Esforça-se por se comportar com elegância e bom senso. Conhece então uma mulher cujo esplendor demoníaco, que lhe repugna de início, acaba por despertar nele uma paixão devastadora. Como lhe explica a sua Medusa: «Isto não tem nada a ver com a felicidade.»
«É de amores proibidos, mas sempre activos, que fala especial e expressamente esta obra de Murdoch... E de como os indivíduos se restabelecem rapidamente das dores da perda pela substituição do outro.»Dóris Graça Dias, Revista LER


Trainspotting
Irvine Welsh
Trainspotting fala-nos de um grupo de jovens da Edimburgo dos anos noventa, tão desesperadamente realistas que para eles o futuro é inconcebível. Ao contrário dos que procuram o dinheiro ou o êxito, eles frequentam o lado obscuro da vida, buscam as sensações intensas e o prazer imediato na heroína, no sexo e no "rock-and-roll". Irvine Welsh conseguiu fazer literatura da áspera linguagem dos seus personagens, semelhante à que podemos encontrar em ruas de qualquer cidade europeia. Trainspotting tornou-se um dos acontecimentos culturais da última década na Grã-Bretanha, foi adaptado ao teatro e depois ao cinema por Danny Boyle. «Merece vender mais exemplares que a Bíblia», afirmou em jeito provocador a revista Rebel Inc. «O Celine escocês dos noventa», entusiasmou-se o 'The Guardian'. Nascido em 1958 em Leith, Irvine Welsh frequentou a escola nos arredores de Edimburgo, deixando-a aos 16 anos para ser reparador de televisores, punk, drogado e músico falhado, antes de voltar a estudar na Universidade de Herriot-Watt e se tornar romancista. Em entrevista recente definiu assim as suas influências: «Não tenho heróis literários. Não vou buscar as minhas referências aos outros escritores, mas às letras das canções, aos vídeos e sitcoms… cheguei a Burroughs via Lou Reed ou Iggy Pop; a Brendan Behan e Dermot Bolger através das palavras de Shane McGowan dos Pogues.»

A vida secreta das abelhas
Sue Monk Kidd


Lily cresceu na convicção de que, acidentalmente, matou a mãe quando tinha apenas quatro anos. Do que então aconteceu, ela tem não só as suas próprias recordações mas também o relato do pai. Agora, aos catorze anos, tem saudades da mãe, a quem mal conheceu mas de quem recorda a ternura, e sente uma desesperada necessidade de perdão. Vive com o pai, violento e autoritário, numa quinta da Carolina do Sul, e tem apenas uma amiga, Rosaleen, uma criada negra cujo semblante severo esconde um coração doce. Na década de 60, a Carolina do Sul é um sítio onde a segregação é ainda realidade. Quando, ao tentar fazer valer o seu recém- -conquistado direito de voto, Rosaleen é presa e espancada, Lily decide agir. Fugidas à justiça e ao pai de Lily, elas seguem o rasto deixado por uma mulher que morreu dez anos antes e encontram refúgio na casa de três excêntricas irmãs apicultoras. Para Lily esta vai ser uma viagem de descoberta, não só do mundo, mas também do mistério que envolve o passado de sua mãe.A Vida Secreta das Abelhas é um romance sobre o poder transcendente do amor e a faceta feminina de Deus. Sue Monk Kidd, ao escrever sobre o que é misterioso, e até difícil, na vida, ilumina tudo o que esta tem de maravilhoso. Ela prova que uma família pode ser encontrada nos sítios menos prováveis – talvez não sob o nosso próprio tecto, mas no sítio mágico onde encontramos o amor.

Mil sóis resplandecentes
Khaled Hosseini

Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação. Há já algum tempo que se ouvia falar de Mil Sóis Resplandecentes, do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com O Menino de Cabul, traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de Mil Sóis Resplandecentes foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais. Confirmando o talento de um grande narrador, Mil Sóis Resplandecentes passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida. Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.


Os passageiros da noite
Haruki Murakani

Por uma noite, Murakami leva-nos com ele através de uma Tóquio sombria, onírica, hipnótica. Um deslumbrante romance perpassado de uma singular atmosfera poética, na fronteira entre a realidade e o universo fantasmático, onde cada pormenor, olhado retrospectivamente, faz sentido.Num bar, Mari encontra-se mergulhada num livro, enquanto bebe o seu chá e fuma cigarro atrás de cigarro. Às tantas, entra em cena um músico que a reconhece. Ao mesmo tempo, encerrada num quarto, Eri, a irmã de Mari, dorme com os punhos cerrados, sem saber que está a ser observada por alguém.Em torno das duas irmãs desfilam personagens insólitas: uma prostituta chinesa vítima de agressão, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático, uma empregada de limpeza em fuga. Sucedem-se acontecimentos bizarros: um aparelho de televisão que, de um momento para o outro, começa bruscamente a funcionar, um espelho que conserva os reflexos.

Money
Martin Amis
Amazon.com Review - Absolutely one of the funniest, smartest, meanest books I know. John Self, the Rabelaisian narrator of the novel, is an advertising man and director of TV commercials who lurches through London and Manhattan, eating, drinking, drugging and smoking too much, buying too much sex, and caring for little else besides getting the big movie deal that will make him lots of money. Hey, it was the '80s. Most importantly, however, Amis in Money musters more sheer entertainment power in any single sentence than most writers are lucky to produce in a career.

O fim pode esperar
Diana Athill

(já foi proposto no mês passado)


Ler Lolita em Teerão
Azar Nafisi

Em 1995, depois de se ter demitido do seu lugar de professora numa universidade de Teerão, devido aos condicionalismos políticos impostos pela revolução islâmica, Azar Nafisi convida sete das suas melhores alunas para uma reunião semanal na sua casa, onde estudariam as grandes obras da Literatura Ocidental. Como os livros que liam estavam oficialmente proibidos pelo Governo, eram obrigadas a encontrar-se em segredo, muitas vezes partilhando fotocópias dos livros ilegais. Durante dois anos encontraram-se para falar – dos livros e da vida de cada uma – e embora algumas delas se sentissem intimidadas a princípio, depressa se entusiasmaram com as reuniões e usaram-nas para debaterem as realidades sociais, culturais e políticas da vida num país submetido às regras do fundamentalismo islâmico.
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E a nossa próxima leitura é:
A solidão dos números primos, de Paolo Giordano

3 comentários:

rita disse...

Li ontem à noite o primeiro: «Anjo na Neve» e nem consegui dormir bem. É aterradoramente fantástico e supreendente. Acho que desta vez acertámos com a escolha. Só tenho pena de não ter mais tempo para o estar a ler agora. Agora mesmo!

ap disse...

Estou na mesma...passei o dia a pensar no livro e à espera do momento em que poderei voltar a pegar nele...promete!!

jsp disse...

Idem. O primeiro conto é magnifico. Envolve uma pessoa numa tristeza profunda.