segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira

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"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis."

"Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
A mulher do médico levantou-se e foi à janela. Olhou para baixo, para a rua coberta de lixo, para as pessoas que gritavam e cantavam. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava."

José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira
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O livro é um dos meus preferidos de sempre. Contém um espectro impressionantemente amplo de emoções humanas, desde a solidadriedade, altruísmo, amor, ao desespero, sensação de impotência, raiva, egoismo, e violência mais atroz. Está lá tudo.
O filme, como geralmente acontece na transposição de obras literárias ao cinema, não chega tão longe. Mas ainda assim merece ser visto. Enquanto podemos. Enquanto a cegueira não nos aprisionar por completo.

3 comentários:

Alfredo F. disse...

A tua critica tem um erro ortográfico!!!, é mais uma gralha tipica destes teclados manhosos, mas serve para a piada seguinte: O artista escreve mal mas não merece essa desconsideração ehehehehehe!

CF disse...

ehehehe
Tem, sim, senhor!
E logo uma palavra tão bonita...
Mas agora fica, não vou corrigir.
Já agora: o teu comentário tem dois erros de acentuação. :-P Mais respeito pelas esdrúxulas desta vida!(proparoxítonas, para os amigos)
Beijinhos

Alfredo F. disse...

Macho que é macho não vai em "acentos"... ehehehe!
Beijos.