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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

delícias

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Todos os anos, para celebrar a colheita do chá, os habitantes das montanhas no Taiwan oferecem Dim Sum Cha - literalmente "chá que vem do coração" - às pessoas que amam.
Este chá é preparado com as primeiras folhas do chá Bao Zhong, um chá ligeiramente fermentado qye é particularmente famoso na ilha, e com botões de rosa apanhadas nesse dia em redor das casas.
As folhas de chá e os botões de rosa são então colocados em pequenos cestos de bambu, idênticos aos que são usados na cozinha chinesa. Após alguns dias, as folhas frescas de chá adquirem o aroma subtil dos botões de rosa.




Todas as Primaveras, no Japão, o florescimento das cerejeiras é um evento aguardado com expectativa. Durante cerca de duas semanas, no início de Abril no sul, e um pouco mais tarde no norte, as árvores cobrem-se de flores e despertam de novo a profunda admiração pela Natureza do povo japonês.
Inspirado na tradição japonesa do Hanami, o nome dado à contemplação destas árvores, e criado em homenagem às mulheres de Kyoto, o chá Fleur de Geisha é uma mistura requintada de chá verde japonês, subtilmente aromatizado com flor de cerejeira. Celebra a beleza, a harmonia e a delicadeza desta natureza efémera.




Na aldeia de Jinhong, localizada no coração do Triângulo Dourado, entre a China e Laos, uma tradição ancestral é mantida viva. Quando a lua nova anuncia o início do Ano Novo, os jovens adultos da aldeia oferecem aos seus idosos o famoso chá das montanhas Pu Er, famoso pelas suas qualidades no prolongamento da longevidade.
Nos dias anteriores ao festival, os jovens vão para a floresta para encontrar uma árvore de canela e esculpir um recipiente de um dos seus ramos, no qual depositam o precioso chá. Após alguns dias, as folhas misturam-se com o aroma da canela.

Estes são alguns dos meus chás novos, comprados no Palais des Thés, e que desde já vos convido a vir cá provar.

domingo, 24 de junho de 2007

Chá Darjeeling



Bem a propósito da nossa actual leitura, fica um pequeno apontamento sobre o chá Darjeeling:


A estância de montanha de Darjeeling está escondida no sopé das montanhas cobertas de neve do Himalaia, no noroeste da Índia, 1800 metros acima do nível do mar, num cenário espectacular, rodeada por mais de 20.000 hectares de arbustos de chá. Num dia límpido, vê-se ao longe o monte Evereste. Os bons Darjeelings são sempre referidos como o “Champagne” dos chás. O subtil sabor a moscatel e o maravilhoso aroma resultam da combinação única de um clima frio e nebuloso, altitude, pluviosidade, características geológicas e qualidade do solo e do ar.



Plantação de chá em Darjeeling


A maior parte dos arbustos cultivados na região de Darjeeling crescem de sementes chinesas, híbridos chineses ou arbustos híbridos Assam. As plantas chinesas, mais resistentes ao frio, encontram-se nas plantações mais altas do norte de Darjeeling, onde alguns arbustos crescem em terreno inclinado acima de 1800 metros. A planta Assam gosta da pluviosidade abundante das plantações do sul que ficam a altitudes mais baixas. As 102 plantações de Darjeeling produzem aproximadamente 16 534,7 toneladas por ano. O pessoal empregado na apanha, sempre do sexo feminino, começa a apanhar folhas de manhã cedo e às vezes trabalha em socalcos que sobem a um ângulo de 45 graus.


Devido ao clima e altitude, os arbustos de chá de Darjeeling não crescem durante todo o ano. Os chás são apanhados entre Abril e Outubro, quando o período de hibernação de Inverno começa e o crescimento pára. O crescimento recomeça em Março depois dos primeiros aguaceiros leves da Primavera. Esta é a primeira apanha das folhas. O segundo despontar é apanhado em Maio e Junho. A monção atinge a região em meados de Junho e continua até ao fim de Setembro, trazendo um total de 3000 a 5000 mm de pluviosidade. Os chás produzidos durante este período contém uma grande quantidade de humidade e são de padrão comum. As folhas são processadas pelo método clássico de manufactura e têm um aspecto acastanhado, preto e bem enrolado com muitas pontas louras.

in: Jane Pettigrew, O Guia do Chá, Lisboa: Livros e Livros, 1998.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

The Book of Tea





The Book of Tea, de Kakuso Okakura, é um ensaio belíssimo, escrito em 1906, e que tem servido desde há um século como uma das mais interessantes introduções à cultura e pensamento asiático. Escrito originalmente em inglês, o seu exotismo fascinou os primeiros leitores e continua a surpreender-nos com a sua subtileza.


Deixo-vos com um pequeno excerto:

Tea is a work of art and needs a master hand to bring out its noblest qualities. We have good and bad tea, as we have good and bad paintings – generally the latter. There is no single recipe for making the perfect tea, as there are no rules for producing a Titian or a Sesson. Each preparation of the leaves has its individuality, its special affinity with water and heat, its hereditary memories to recall, its own method of telling a story. The truly beautiful must be always in it. How much do we not suffer through the constant failure of society to recognise this simple and fundamental law of life; Lichihlai, a Sung poet, has sadly remarked that there were three most deplorable things in the world: the spoiling of fine youths through false education, the degradation of fine paintings through vulgar admiration, and the utter waste of fine tea through incompetent manipulation.

Okakura, Kakuzo, The Book of Tea, Tokyo: Kodansha International, 1991, p. 43

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Letras sobre chá

Como nem só de letras se faz o nosso clube de leitura, chegou a altura de dedicar algum espaço a essa bebida tão aromática e reconfortante que é o chá. Inicio, assim, uma série de posts dedicada a esta bebida, a que chamei "letras sobre chá". Para clarificar alguns mal-entendidos, como o de chamar chá a tudo e mais alguma coisa, aqui fica um excerto do artigo daWikipédia, que se encontra aqui e que se dedica ao chá:


O chá é a infusão de folhas ou botões da planta Camellia sinensis, geralmente preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.
A palavra "chá" é também usada popularmente para referenciar qualquer infusão de fruto ou erva, mesmo não contendo folhas de chá, como, por exemplo, o chá de camomila. Este artigo debruça-se sobre o 'verdadeiro' chá.


Os quatro tipos de chá são distinguíveis pelo seu processamento. Camellia sinensis é um arbusto sempre verde cujas folhas, se não são logo secas depois de apanhadas, rapidamente começam a oxidar. Este processo lembra a maltização da cevada; as folhas ficam progressivamente escuras, assim que a clorofila se quebra. O processo seguinte no processamento é parar o processo de oxidação num estado predeterminado removendo a água das folhas via aquecimento. O termo fermentação é frequente e erroneamente usado para descrever este processo, mesmo que na verdade nenhuma verdadeira fermentação aconteça (ou seja, o processo não é digerido por microorganismos).
O chá é tradicionalmente classificado em quatro grupos principais baseados no grau de oxidação:
- Chá branco - folhas jovens (novos botões que cresceram) que não sofreram efeitos de oxidação; os botões podem estar escudados da luz do sol para prevenir a formação de clorofila.
- Chá verde - a oxidação é parada pela aplicação de calor, quer através de vapor, um método tradicional japonês, ou em bandejas quentes - o método tradicional chinês).
- Oolong (烏龍茶) - cuja oxidação é parada algures entre o chá verde e o chá preto.
- Chá preto - oxidação substancial. A tradução literal da palavra chinesa é chá vermelho, o que pode ser usado entre os fãs de chá.
Variações pouco comuns - estão disponíveis várias preparações de chá que não se enquadram na nomenclatura usual.
- Pu-erh (普洱茶) - Erroneamente considerado como uma subclasse de chá preto, pu-erh é um produto muito invulgar. O Pu-erh é um chá fermentado e envelhecido (pode ter mais de 50 anos), por vezes, descrito como duplamente fermentado: sendo a segunda "fermentação" resultado da ação de bactérias. Existe um método moderno de acelerar o envelhecimento natural que produz pu-erh de menor qualidade, chamado pu-erh cozinhado, que é vendido frequentemente em saquinhos. O pu-erh tradicional é conservado em forma de "tijolo" ou outras formas (as folhas de chá depois de tratadas são prensadas em moldes). Este é o mais apreciado de todos os chás na China, sendo catalogado em função da qualidade das folhas e do ano de produção, tal como um bom vinho no ocidente, e é o chá normalmente utilizado para a cerimónia de chá chinesa (Kung Fu Cha). Para preparar a infusão usa-se água muito quente ou até mesmo a ferver (os tibetanos são conhecidos por deixá-los a ferver durante a noite). O Pu-erh é considerado como um chá medicinal na China.
- Chá amarelo - é usado como um nome de chá de alta qualidade servido na corte imperial, ou de um chá especial processado similarmente ao chá verde, mas com uma fase mais curta para secar.
- Chong Cha (虫茶) - literalmente "chá quente", esta espécie é feita a partir de sementes de botões de chá em vez de folhas. É usado na medicina chinesa para lidar com o calor do verão bem como para tratar sintomas de gripe.
- Kukicha ou chá de inverno - feita de galhos e folhas velhas twig podadas da planta de chá durante a época dormente e tostado a seco sob o fogo. É popular na medicina tradicional japonesa e na dieta macrobiótica.

- Lapsang souchong (正山小种 ou 烟小种) de Fujian, China, é um chá preto fumado. isto é, secado usando fogueiras de pinho.
- Chá Rize - chá preto forte, produzido na Turquia, com um sabor distinto e preparação específica, incluindo pré-aquecimento, servido com açúcar.